A vereadora Nadir Jesus sugere atenção especial do Legislativo ao Autismo, uma vez que abril marca o mês da conscientização sobre o Autismo.

Cientificamente, o Autismo consiste em um transtorno de neurodesenvolvimento, com origem ainda desconhecida, que desafia a ciência, o que torna necessárias ações que promovam a inclusão social e a qualidade de vida para essa população. No ano de 2012, institui-se, através da Lei n° 12.764, a Política Nacional de Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que passaram a considerar tais indivíduos como pessoas com deficiência para efeitos legais. Já no ano de 2013, o Ministério da Saúde publicou as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da pessoa com TEA, delineando orientações aos profissionais de saúde, enfocando na saúde da pessoa com TEA e a de seus familiares, em razão dos impactos do diagnóstico na dinâmica familiar.

No que tange às famílias que possuem portadores de necessidades especiais (NE), há inúmeras fontes de tensão que influenciam sua dinâmica, tais como aspectos econômicos, relacionais, comunicativos, de educação, de saúde, incluindo a deficiência, que mesmo sendo importante, é uma variável a mais nesse contexto. Ainda sobre o tratamento de filhos com NE, a participação da família evolui de uma perspectiva instrumental a global e interativa, considerando todos os indivíduos afetados nessa relação.

No caso de crianças e de adolescentes com TEA, exige-se uma dedicação especial e quase que total dos sujeitos envolvidos, em função das inúmeras e variadas características, e peculiaridades do transtorno, o que nos promove a uma profunda reflexão, principalmente pelo fato de que parte destas famílias vive em situação de vulnerabilidade, o que prolonga a realização do diagnóstico desses indivíduos e o atraso no tratamento adequado, causando reflexos na sua formação, e em muitos casos, passando estas a serem vítimas do próprio poder familiar. Nestes casos, é ainda mais complicado que os genitores ou responsáveis, que muitas vezes precisam se dedicar intensamente ao trabalho possam ter momentos de lazer, dedicação e de convívio com a criança.

Parte dessas famílias acaba sendo permeada por sentimentos ambíguos, de modo que as estratégias de enfrentamento de cada um em lidar com a deficiência irão determinar o significado da experiência e das vivências dos familiares. Assim, o espaço familiar mais adequado para os portadores de NE consiste em um ambiente que busque o equilíbrio entre as demandas de todos e de cada um dos membros.  

Por esta razão, torna-se fundamental a realização de políticas públicas que fortaleçam a relação entre o autismo e a família, sendo que estas interações do sujeito autista em seu núcleo familiar mostram o relevante papel da família no desenvolvimento social, afetivo, cognitivo e comportamental. 

Em todo o mundo, mais de 70 milhões de pessoas são portadores de autismo, o que corresponde a cerca de 1% da população mundial, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil, porém estes dados se tratam apenas de estimativas, por não haverem estudos técnicos no país que tratem com prevalência ao tema. Diante deste cenário, protocolamos, ainda no mês de março junto à Secretaria da Câmara de Vereadores do Município dois projetos relacionados ao tema, o primeiro diz respeito ao Programa Municipal Censo de Inclusão de Autistas, cuja ideia central é a identificação das pessoas com autismo no Município, com a finalidade de promover uma melhor capacitação dos profissionais da saúde, educadores, assistentes sociais e demais profissionais que atuam com os portadores de autismo, e o segundo projeto trata da realização de triagem precoce para diagnóstico por Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) nas unidades de saúde e de educação infantil (creches) do Município, através da aplicação do questionário M-CHAT.

Texto: Tiago Scherer
 

Notícias - Ver.ª Nadir Jesus - Tabita Strassburger (Jornalista Profissional Diplomada - MTB 16.318)

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