170 Anos

Mais de 700 pessoas caminharam 2,2km em defesa do Hospital Centenário (HC), na manhã deste sábado, 21 de outubro. A concentração começou às 9h na Praça do Imigrante, em frente à Câmara Municipal, e a passeata seguiu pela rua Independência e rua Doutor Frederico Wolffenbüttel, até o grande abraço final na instituição, às 11h30min na avenida Theodomiro Porto da Fonseca, 799. A atividade foi organizada pelo Comitê Popular em Defesa do Hospital Centenário que é constituído por movimentos sociais, entidades da sociedade civil, líderes políticos e comunitários. A ação é suprapartidária e envolve, portanto, amplos setores da sociedade de São Leopoldo.


Idosos que participam das atividades do Viver Bem, projeto da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, foram unidos à caminhada. Com faixas e cartazes pediam o não fechamento do Centenário. Aos 72 anos, Gercy Coelho da Silva, acredita que só mostrando união a cidade vai salvar o hospital. “Acho que temos que ajudar a Prefeitura e fazer o Estado ouvir o que pedimos. Sem recursos vamos perder nosso hospital", disse. Já para Iselda Rosa, 70 anos, o hospital faz parte da história da cidade. "Sabemos que está lá e podemos contar com ele quando precisarmos. Não podemos aceitar o que está acontecendo", afirmou.


Ao longo da caminhada o prefeito Ary Vanazzi explicou, ao microfone, os problemas enfrentados pelo HC. Pediu o apoio da comunidade, dos empresários e de toda a cidade para unir forças e lutar por mais recursos. "Estamos mobilizados desde janeiro para chamar a atenção e reverter essa crise. É um movimento de enfrentamento contra a injustiça e em favor da saúde pública", disse. “O hospital custa para os cidadãos e cidadãs leopoldenses mais de R$ 6 milhões por mês e nós só recebemos R$ 235 mil mensais do governo do Estado! É injusto que São Leopoldo tenha de arcar quase sozinho com os custos de atendimento de várias cidades da região – por isso a dificuldade imensa nas contas públicas e as pessoas precisam saber disso”, explicou o prefeito.


O Secretário da Saúde, Fábio Bernardo, falou dos recursos do município aplicados no Hospital Centenário por conta da verba reduzida que o Estado destina: "Os valores que a Prefeitura investe dos impostos dos leopoldenses no hospital, por não receber o suficiente em recursos federais e estaduais, são recursos que fazem muita falta em outras áreas e investimentos, desde serviços básicos até políticas sociais".


Vereadores também de uniram ao movimento. Integrante da comissão criada para salvar o Hospital Centenário, a vereadora Iara Cardoso (PDT) afirmou que a luta que o governo municipal, a comissão e a comunidade estão travando é em defesa da vida: “Este é um grito de alerta e socorro. Mais que nunca a união de todos pode fazer a diferença", concluiu.
Coordenadora do Comitê em Defesa do Hospital Centenário, a vereadora Ana Affonso (PT) destacou a mobilização como construção de um movimento em apoio ao Centenário e à saúde. “Esta é uma luta popular. Estamos clamando por melhoria na saúde e fortalecimento do HC. O próximo passo é aumentar pressão em relação governo Sartori, precisamos ir até o Piratini para mostrar que a mobilização é de toda sociedade de São Leopoldo”, antecipou.


SERVIDORES DO HOSPITAL FICAM NA LINHA DE FRENTE DA CAMINHADA
O enfermeiro Edson Costa estava no pelotão da frente da caminhada, ao lado de dezenas de colegas funcionários do Centenário que participaram da atividade. “Não fazemos saúde sozinhos, todos precisam compreender este momento delicado e se envolver, porque a instituição está acima de qualquer outro interesse”, ressaltou o enfermeiro que há 16 anos trabalha no HC.


“Isso nunca foi feito antes. Uma caminhada com tanta participação dos funcionários, junto com a comunidade, é muito importante e certamente vai chamar a atenção das autoridades para o nosso problema”, disse Juraci Cristina de Oliveira Santos, 27 anos, que é servidora do setor de Recursos Humanos do HC.


Há dez anos no HC, a enfermeira Cláudia da Silva fez um alerta: “O Hospital Centenário nunca fechou as portas e é referência para milhares de pessoas. Não podemos perder mais do que já perdemos, precisamos nos mobilizar abraçar esta luta para salvar o nosso hospital”.


A caminhada e o abraço ao HC teve também a participação e as manifestações públicas de apoio de importantes autoridades políticas como a vice-prefeita Paulete Souto (PCdoB); do deputado federal Dionilso Marcon (PT); dos deputados estaduais Tarcísio Zimmermann (PT) e Nelsinho Metalúrgico (PT); do presidente em exercício da Câmara Municipal Armando Motta (PRB); do vereador Ary Moura (PDT); do vereador Fabiano Haubert (PDT); e de todo o secretariado do governo Vanazzi.

SAIBA MAIS
O custo mensal total do HC é de R$ 9 milhões. O hospital, no entanto, recebe apenas R$ 235 mil do Estado (menos de 3%) e R$ 2,3 milhões da União (26%). O povo de São Leopoldo custeia, sozinho, 70% do Hospital Centenário – que atende várias cidades e tem um total de 200 leitos. Outros hospitais importantes da região, alguns com menos leitos pelo SUS, recebem mais recursos do Estado e da União. Vamos citar três casos: 1. HOSPITAL A – com 226 leitos, recebe do Estado R$ 3.344.727,44 e da União R$ R$ 4.146.457,42. | 2. HOSPITAL B – com 182 leitos, recebe do Estado R$ 3.916.101,00 e da União R$ 1.982.565,27; | 3. HOSPITAL C –, com 160 leitos recebe do Estado R$ 2.041. 807,00 e da União R$ 1.462.950,46. 


Para custear o HC e mantê-lo de portas abertas, a Prefeitura de São Leopoldo destina, por mês, mais de R$ 6 milhões. Tal volume de investimento impede aportes em outras áreas, atrasando os salários de servidores e o pagamento a fornecedores de serviços essenciais para a cidade – como a limpeza urbana, por exemplo.


Em agosto, o prefeito Ary Vanazzi transformou o HC em hospital com atendimento 100% SUS, acabando com atendimentos particulares que usavam a estrutura do hospital mas davam pouco retorno. Também foi necessário encerrar as atividades da Neurologia e Neurocirurgia, em que o HC era referência para 15 municípios, mas não recebia os repasses do governo do Estado e da União para manter tais atendimentos. A gestão da saúde é tripartite, ou seja, de responsabilidade do município, do Estado e do governo federal.
O HC continua sendo referência em Oncologia para 18 municípios, em Nefrologia para 7 cidades e em Rede AVC para outras 5 cidades. Tem hoje 867 funcionários, faz cerca de 400 cirurgias por mês e 10 mil internações por ano. O HC é um “hospital porta aberta” para urgência e emergências – o que significa que o paciente não precisa ser da cidade de São Leopoldo para receber igual atendimento.


COBERTURA: DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO (Decom) DA PREFEITURA DE SÃO LEOPOLDO E COMUNICAÇÃO DA FUNDAÇÃO HOSPITAL CENTENÁRIO | Participaram: Ana Garske (MTb 8443) e Aline Marques (MTb 8929) | Fotos: Thales Renato Ferreira (MTb 18891) e Ana Garske | Edição: Henri Figueiredo (MTb 12085)

Notícias - Bancada PT - Alexandre Costa (MTB 7587/RS)

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